27 de junho de 2026

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⏰Parecer da Aleam pode deixar David Almeida inelegível

Comissão de Assuntos Econômicos da Assembleia Legislativa reprovou as contas do governo de 2017, período em que o atual prefeito de Manaus foi governador interino por cinco meses

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) emitiu, em documento discutido na quinta-feira (05), um parecer pela reprovação integral das contas do Governo do Estado referentes ao exercício de 2017, sob responsabilidade dos ex-governadores José Melo de Oliveira, David Antônio Abisai Pereira de Almeida e Amazonino Armando Mendes.

Caso David Almeida (Avante) seja responsabilizado na esfera eleitoral, o político pode ficar inelegível por oito anos, juntamente com o ex-governador José Melo.

O parecer, assinado pelo relator deputado Wilker Barreto (Mobiliza), aponta uma série de irregularidades graves nas três gestões, incluindo o pagamento irregular, no mesmo dia, de mais de 10 milhões em desapropriação, o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), uso irregular de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) em substituição a licitações, falhas na gestão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e não aplicação do mínimo constitucional de 25% na educação.

Além do deputado Wilker, a reunião foi conduzida pelos deputados Felipe Souza (PRD), Rozenha (PMB), Alessandra Campelo (Podemos), Carlinhos Bessa (PV) e pelo presidente da Aleam, Roberto Cidade (União).

Três governadores em um mesmo ano

O relatório destaca que 2017 foi um ano de forte instabilidade política no Amazonas, marcado pela cassação de José Melo e pela passagem de três governadores no mesmo exercício.

“O Estado viveu um dos períodos mais críticos de sua história recente, com descontinuidade administrativa e agravamento das dificuldades fiscais”, aponta o documento.

Irregularidades por gestão

Na gestão José Melo de Oliveira (janeiro a maio de 2017), foram constatadas cinco irregularidades centrais:

  • Extrapolação do limite prudencial da LRF, com despesas de pessoal acima de 57% da Receita Corrente Líquida;
  • Uso de TACs em substituição à licitação;
  • Pagamentos fora da ordem cronológica;
  • Má gestão dos recursos do Fundeb;
  • Uso de recursos da educação para pagar despesas de exercícios anteriores.

Em relação ao governo interino de David Almeida (maio a outubro de 2017), o parecer identificou ainda mais irregularidades graves, sendo sete ao total,  incluindo:

  • Desapropriação irregular e pagamentos no total de R$ 10,5 milhões de reais;
  • Descumprimento de decisão cautelar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM);
  • Publicidade institucional em período vedado, com gastos de R$ 769 mil;
  • Uso de recursos do Fundeb para despesas passadas;
  • Reiteração de contratações via TACs, e não por licitação.

Já na gestão de Amazonino Mendes (outubro a dezembro de 2017), o relatório cita quatro falhas principais:

  • Impropriedades na movimentação do Fundeb;
  • Não aplicação integral dos 25% constitucionais em educação;
  • Uso irregular de TACs;
  • Fragilidades em controles internos e conciliações bancárias.

Reprovação integral e envio ao MP

O relator concluiu pela reprovação integral das contas de 2017, recomendando o envio do parecer à Procuradoria-Geral de Justiça do Amazonas e ao Ministério Público de Contas, para apuração de responsabilidades cíveis, criminais e de improbidade administrativa.

Também foi determinada a comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), para fins de eventual declaração de inelegibilidade, conforme prevê a Lei Complementar nº 64/1990. Caso condenados, tanto David Almeida quanto José Melo podem ficar inelegíveis por oito anos, conforme preconiza a legislação.

“Fica evidente que as três gestões descumpriram princípios constitucionais de legalidade, moralidade e transparência, comprometendo a regularidade das contas públicas e os direitos sociais da população”, afirma o deputado Wilker Barreto no parecer.

O relatório segue agora para apreciação do plenário da Aleam, que é o órgão competente para o julgamento final das contas dos ex-governadores e podem entrar em pauta a qualquer moeto por decisão do presidente da Casa, deputado Roberto Cidade (UB)

Após a votação, o documento será enviado à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Amazonas e ao Ministério Público de Contas, para propor denúncia criminal e cível contra José Melo e David Almeida e ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM), para tratar do crime eleitoral e da inelegibilidade por oito anos dos políticos.

Com informações do Blog do Botelho

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