⏰Esvaziada, Cop30 é criticada por hipocrisia e por ignorar a pobreza
A COP 30, conferência climática da ONU realizada em Belém (PA), iniciou em meio a um forte contraste: de um lado, um discurso oficial sobre a salvação do planeta; de outro, a ausência de líderes das maiores potências mundiais e uma realidade de pobreza e falta de infraestrutura na própria cidade-sede. Durante o Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, especialistas e jornalistas analisaram o que chamaram de “esvaziamento” e “hipocrisia” do evento.
O repórter Pedro Campos, enviado especial a Belém, e a advogada especialista em direito ambiental, Samanta Pineda, apontaram a desconexão entre as discussões climáticas e as necessidades básicas da população amazônica. Para eles, o evento se tornou uma vitrine de contradições, onde a romantização da floresta ignora a carência de saneamento, energia e oportunidades para quem vive na região.
O jornalista Claudio Humberto classificou o baixo comparecimento de líderes como um “constrangimento” e um “fracasso diplomático” para o governo brasileiro. “A Rio-92 atraiu 108 chefes de estado e de governo. O que a gente viu aqui foram apenas 17”, comparou.
Convidada do Jornal Gente, a advogada Samanta Pineda, que acompanha as conferências há mais de 20 anos, foi enfática ao afirmar que o formato atual do evento se esgotou. “Eu não sei se é a última COP, mas, nesse modelo, ela precisa ser a última”, declarou.
Segundo Pineda, as principais nações emissoras de gases de efeito estufa não estão comprometidas. “Os Estados Unidos, segundo maior emissor, não mandaram representante. A China, primeira emissora, condicionou sua meta de descarbonização ao crescimento do PIB. A Rússia não veio porque alega estar em guerra. Ficou Brasil e Europa sozinhos discutindo isso aqui”, analisou.
A especialista criticou o que chamou de “excesso de proteção ambiental sem olhar para as pessoas”. Para ela, essa abordagem gera um ciclo de pobreza e compromete o futuro. “Se nós não cuidarmos das pessoas, não teremos futuras gerações. Mostrar que essa santificação e romantização da Amazônia está levando meninas de 10 anos à prostituição, porque não têm alternativa, é fundamental”, afirmou Pineda.
Fonte: Rádio Bandeirantes
