⏰Presidente da CMM, vereador David Reis, silencia sobre prisão de Rosinaldo Bual por suspeita de rachadinha
O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador David Reis (Avante), segue em silêncio diante da prisão do colega de parlamento, Rosinaldo Bual (Agir), detido nesta sexta-feira (3) em uma operação conjunta do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e da Polícia Militar.
A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também levou à condução de dois assessores de Bual. O parlamentar é suspeito de envolvimento em um esquema de “rachadinha”, prática ilegal em que servidores cedem parte dos salários aos vereadores que os nomearam.
Apesar da gravidade do caso e do impacto político sobre a imagem da Casa Legislativa, até o momento David Reis não se pronunciou oficialmente, tampouco convocou a Mesa Diretora para discutir medidas a serem adotadas.
A ausência de posicionamento do presidente da Casa tem gerado críticas entre vereadores e especialistas em transparência pública, que cobram mais firmeza da presidência da Câmara diante de denúncias que envolvem parlamentares em atividades ilícitas.
Maços de dinheiro foram encontrados em cofres do vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso na manhã desta sexta-feira (3) pela Operação Face Oculta, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) vinculado ao MPAM (Ministério Público do Amazonas), por suspeita de ‘rachadinha’ na Câmara Municipal de Manaus. A contagem foi feita com máquinas contadoras de cédulas e o resultado foi R$ 390 mil.
O parlamentar se recusou a fornecer as senhas e bombeiros utilizaram um cortador mecânico para abrir os três cofres apreendidos, sendo um da casa dele, outro encontrado em um sítio e mais um levado da casa da mãe do vereador.
O Gaeco pediu o bloqueio de R$ 2,5 milhões das contas bancárias do vereador. Os agentes apreenderam também dois cheques, um do valor de R$ 250 mil e outro de R$ 300 mil, além de celulares, documentos, computadores e joias.
“Ele tinha uma alta rotatividade entre os funcionários que eram contratados pelo gabinete. Nós investigamos 50 funcionários em que metade do salário deveria ser retornado a ele. O dinheiro ia primeiramente para quatro a cinco pessoas da equipe dele e depois era revertido em benefício do parlamentar”, disse Leonardo Tupinambá, coordenador do Geco no Amazonas.
Segundo Leonardo Tupinambá, uma assessora do vereador, também detida, articulava o recebimento de valores e a distribuição. “Há suspeita também de que o dinheiro era para uso de agiotagem”, disse o procurador.
Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. Conforme Leonardo Tupinambá, Rosinaldo Bual é investigado por peculato, concussão e lavagem de dinheiro e organização criminosa. Bual também responderá por posse ilegal de arma de fogo.
Enquanto isso, a investigação do MP-AM segue em sigilo, e novas fases da operação não estão descartadas.
