26 de julho de 2026

Portal Minuto Amazonas

Portal com Notícias atualizadas a cada minuto sobre o Amazonas, Manaus, Brasil e Mundo. Aqui a informação quando acontece é publicada no mesmo tempo e minuto sempre visando manter a população antenada de tudo, em tempo real!

⏰A falta de respiradores no Amazonas e o escândalo que chocou o país e completou 5 anos

A tragédia segue como um dos episódios mais graves da pandemia, marcada por falhas de gestão, alertas ignorados e dezenas de mortes evitáveis, enquanto os responsáveis permanecem impunes

Há cinco anos, o Amazonas viveu um dos momentos mais sombrios de sua história recente. No auge da pandemia da Covid-19, hospitais públicos ficaram à beira do colapso, sem leitos suficientes e, sobretudo, sem respiradores para salvar vidas. Pacientes morriam asfixiados enquanto famílias e profissionais de saúde assistiam, impotentes, ao caos instalado.

Naquele contexto, o governo federal anunciou o envio de recursos para que estados e municípios pudessem comprar respiradores e evitar uma tragédia ainda maior. A verba tinha um objetivo claro: garantir equipamentos, estruturar a rede pública e impedir que a falta de oxigênio e ventilação mecânica continuasse matando pessoas.

O que chocou o país foi o que veio depois. Segundo investigações e reportagens amplamente divulgadas na época, o governo do Amazonas é acusado de não ter feito bom uso desses recursos. Em vez de adquirir respiradores de fornecedores especializados e com experiência na área da saúde, a gestão estadual teria comprado equipamentos por meio de uma loja de vinhos, ligada a um amigo do governador. O episódio virou símbolo de descaso e má gestão em meio a uma crise sanitária sem precedentes.

Esse caso passou a representar, de forma cruel, como decisões políticas e administrativas podem custar vidas. Enquanto a população clamava por respiradores nos hospitais, o dinheiro público, que deveria servir para salvar pessoas, acabou envolvido em denúncias, suspeitas e investigações. Cinco anos depois, a lembrança desse episódio ainda causa indignação e reforça a importância de responsabilidade, transparência e respeito à vida humana na gestão pública.

Na época, o governador do Amazonas Wilson Lima (União) comprou respiradores em uma loja de vinho. O contrato sob suspeita envolveu a compra de 28 respiradores junto a uma importadora de vinhos, mediante dispensa de licitação e triangulação. Uma empresa fornecedora de equipamentos hospitalares, que já havia sido contratada pelo governo, vendeu os ventiladores à adega por R$ 2,4 milhões. No mesmo dia, a importadora de vinhos revendeu os equipamentos ao Amazonas por R$ 2,9 milhões. Após receber os valores em sua conta, a adega repassou o montante integralmente à organização de saúde servindo, segundo o MPF, apenas como “laranja” para vender os produtos com sobrepreço.

A PGR denunciou, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador do Amazonas, Wilson Lima, o vice-governador, Carlos Almeida e outras 16 pessoas, entre servidores públicos e empresários, por crimes cometidos na aquisição de respiradores para tratamento da Covid-19. Lima foi denunciado por organização criminosa, peculato, dispensa indevida de licitação e fraude à licitação. De acordo com a denúncia, foram desviados ao menos R$ 2 milhões.

As atuações do Ministério Público Federal (MPF) e as demandas judiciais ajuizadas em reparação às vítimas da Covid-19 serão tema de coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14), no auditório da Procuradoria da República no Amazonas, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. Estarão presentes na coletiva o procurador da República Igor Jordão Alves, que atua no caso, e representantes da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico).

Levantamentos do Ministério Público e da Defensoria Pública apontam que mais de 60 pessoas morreram diretamente pela falta de oxigênio, além das vítimas da própria Covid-19. Em todo o início de 2021, Manaus registrou mais de 4,4 mil mortes.

A tragédia segue como um dos episódios mais graves da pandemia, marcada por falhas de gestão, alertas ignorados e dezenas de mortes evitáveis, enquanto os responsáveis permanecem impunes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *