⏰Acordo da oposição para acabar com obstrução teve promessa sobre PEC do fim do foro e PL da Anistia
Os deputados da direita encerraram a manifestação no plenário nesta quarta-feira (6) à noite por um acordo costurado entre os líderes com intervenção do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
A negociação não é respaldada pelo atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), que não se comprometeu com as promessas feitas, mas é fruto de uma articulação entre a oposição e os líderes de PP, PSD e União Brasil. Juntos, os partidos têm os votos para aprovar o Projeto de Lei (PL) da Anistia e a PEC do fim do foro privilegiado, que beneficiam diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o líder da oposição no Congresso, Zucco (PL-RS), a PEC do foro começará a ser votada a partir de segunda-feira (11), e há compromisso dos líderes dos três partidos em apoiar a anistia. A perspectiva, conforme Zucco, é que a anistia seja votada ainda nos próximos meses.
Apesar do acordo, alguns parlamentares de oposição tentaram impedir o presidente Hugo Motta de se sentar à mesa do plenário para abrir a sessão na noite desta quarta-feira. Deputados acabaram cedendo à pressão e liberaram o espaço física para o início da reunião, atendendo aos apelos de seus próprios líderes, entre eles Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ).
A obstrução física do plenário puxada pelo líder do Partido Liberal, Sóstenes, ultrapassava 34 horas ininterruptas quando os deputados cederam e se retiraram das cadeiras ocupadas pela direção-geral da Câmara. Sentado no lugar da presidência após resistência do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do partido, Hugo Motta abriu a sessão para uma declaração curta e enfática em relação à obstrução.
“O que aconteceu não foi bom, não foi condizente com nossa história”, disse diante do grupo silencioso de deputados no plenário. “Estive com todos os líderes e quero começar dizendo que nossa presença nesta Mesa é para garantir duas coisas. Primeiro a respeitabilidade da Mesa, que é inegociável. A segunda, o segundo motivo, é para que esta Casa possa se fortalecer”, acrescentou.
Ele não deu as respostas que a oposição cobrava pelo avanço do Projeto de Lei (PL) da anistia, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim ao foro privilegiado, mas declarou: “Não podemos deixar que projetos individuais possam estar à frente daquilo que é maior que todos nós, que é nosso povo, nossa população”, disse.
À tarde, Hugo Motta, apoiado pela maioria dos líderes, informou à oposição que desobstruiria o plenário da Câmara. Após reunião, da qual não participaram os nomes da oposição, Motta marcou sessão para votação de pautas às 20h30. Ele também ameaçou os deputados que não quisessem liberar o plenário com promessa de suspensão cautelar do mandato deles por seis meses.
A ameaça não surtiu efeito, e Hugo só conseguiu se sentar à cadeira da presidência mais de duas horas e meia depois. Nesse ínterim, os líderes recorreram até ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para pôr fim à ocupação. As horas entre a determinação de Motta e o início real da sessão foram marcados por discussões e bate-bocas entre os deputados em um plenário onde só parlamentares podiam entrar.
Houve, ainda, entra e sai de líderes da sala de Hugo Motta e do gabinete de Arthur Lira. A oposição, nesse ínterim, largou mão de uma série de estratégias, e a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) decidiu entrar no plenário com a filha de quatro meses. O gesto pretendia evitar a desobstrução do espaço, e a Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo PT, recorreu ao Conselho Tutelar contra a parlamentar.
Com informações de O Tempo
